Vendedores chegam a lucrar R$ 3 mil; itens do Boca Juniors são os mais procurados.
A cada fim de campeonato, a história se repete. Eles deixam a capital do Estado e vêm a Limeira para faturar com a venda de bandeiras e camisetas de times de futebol.
Os varais estendem os produtos em seis pontos de venda espalhados pela cidade. "A gente sempre vem para o interior nos finais de campeonato. Há mais quatro pontos de venda em Rio Claro", diz Raimundo Almeida Nunes Filho, 24 anos, que coloca em prática esta função há cinco anos.
Na próxima semana, serão realizadas duas partidas decisivas para o futebol brasileiro: o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, entre Palmeiras e Coritiba, e a decisão da Libertadores, entre Corinthians e Boca Juniors (Argentina).
De acordo com Alan Dias Lima, 17, são-paulinos, palmeirenses e corintianos são os principais clientes. "Por enquanto, a camiseta do Boca é a que está vendendo mais. Depois, a bandeira do Corinthians", relata.
Ele está em Limeira pela primeira vez. "Eu estudo, mas estou de férias. Aproveito para conhecer a cidade, pessoas diferentes".
A programação do grupo é a seguinte: se o Corinthians vencer na próxima quarta-feira na Libertadores, eles permanecem na cidade até o fim de semana seguinte, já que as vendas estarão aquecidas. Se o Corinthians perder, eles arrumam as malas e voltam para São Paulo. "Nos dias de jogo, a gente não consegue assistir. Vemos no dia seguinte na televisão", diz Gilmar Alves Lino de Souza, 23, que é corintiano.
PODER AQUISITIVO
Morador de São Miguel Paulista (zona leste da capital), Lincoln Rocha Cairo, 18, chegou a Limeira há uma semana. "Um amigo chamou para vir para Limeira. Aqui, o pessoal tem dinheiro. As pessoas que param para comprar são mais de classe alta. É como se fosse um Tatuapé (bairro também da zona leste da capital) em comparação com São Miguel", diz.
As camisetas custam R$ 35 e as bandeiras, R$ 40. As vendas foram tão lucrativas em seis dias - 2.000 camisetas vendidas pelo grupo - que Lincoln precisou voltar para São Paulo, anteontem, para repor o estoque junto ao fabricante. "No final de tudo, tirando os gastos, conseguimos ganhar R$ 3 mil cada um. A gente se junta para dividir as despesas - como a van e o hotel", afirma. "Na quarta-feira, fomos em uma avenida de bares. O Boca fez um gol e vendemos um monte de camisetas. Depois, o Corinthians empatou e não vendemos mais nada", diz ele, referindo-se à primeira partida da final da Libertadores, que terminou empatada, por 1 a 1.
Apesar de ser são-paulino, ele prefere não torcer contra o time alvinegro, como a maioria.
"Se o Corinthians ganhar, eu vendo todas as camisetas", afirma ele, já vislumbrando o lucro que uma possível vitória corintiana pode gerar.










