Precariedade de serviços é detectada por comissão.
Relatórios produzidos pela comissão fiscalizadora da merenda nas escolas que levaram ao rompimento do contrato com a Le Barom - empresa responsável pela merenda escolar - apontaram diversas irregularidades. Em um dos casos, uma escola da rede estadual de ensino chegou a dispensar alunos por não ter alimentos para servir aos estudantes.
De acordo com a secretária de Educação, Araciana Dalfré, a empresa recebeu a notificação do rompimento do contrato na tarde de ontem. Junto com o aviso, um processo de quase mil páginas foi entregue à empresa, relatando todas as irregularidades apontadas pelo município no serviço prestado pela Le Barom. "Certamente, o que vai mais pesar é o relatório da comissão. Além disso, foram encaminhadas cópias de reportagens relatando a péssima qualidade do serviço", destacou.
Entre os apontamentos feitos pela comissão está a falta de organização dos gêneros alimentícios. "Era frequente as diretoras terem que sair para fazer compras emergenciais em farmácias e supermercados, principalmente nos centros infantis, que necessitam muitas vezes de leites especiais. Acabavam pagando mais caro", relatou a secretária.
Nos relatórios, é apontado o atraso na entrega de carne nas escolas por não ter funcionários responsáveis por encaminharem os fornecedores até as escolas. Além disso, a comissão frisou ainda falta de veículos apropriados para a entrega de mercadorias.
A comissão apontou também a falta de alimentos programados no cardápio, que tinha que ser alterado constantemente. Em alguns casos, os relatórios destacam que diretores usavam recursos da APM (Associação de Pais e Mestres) para dar suporte à merenda escolar.
Os lanches noturnos, de acordo com o relatório da comissão, não eram servidos nas escolas estaduais com frequência. "O contrato previa que a entrega era para ser diária", disse Araciana.
As escolas enfrentavam problemas com utensílios de cozinha. A comissão apontou que, em mais de uma oportunidade, ocorreu explosão de panela de pressão por falta de manutenção. Segundo a secretária, a comissão chegou a relatar casos em que bens da prefeitura - como panelas - foram retirados para manutenção e a empresa não devolveu. "Chegamos até a fazer boletim de ocorrência", relatou.
"Todos os apontamentos feitos pela comissão tiveram o apoio da Vigilância Sanitária. Depois que eu assumi a secretaria, todos os desperdícios e falta de entrega de alimentos receberam um controle rigoroso e o município não foi penalizado", frisou.
Saiba Mais
Itens do relatório
* Falta de merenda
* Falta de leites especiais para crianças
* Atraso na entrega de carne
* Uso de recursos da APM para compra de alimentos
* Falta de lanches noturnos em escolas estaduais
* Explosão de panelas de pressão









