Está aberto o questionamento público em relação à merenda terceirizada de Limeira. A cada semana se acumulam denúncias de alimentos em condições inadequadas encontrados nas escolas, explosão causada pela mudança de postura da prefeitura em relação ao tema. Só na semana passada, foram doze, resultando na apreensão de 600 quilos de comida.
Vereadores invadem escolas e fotos aterrorizantes ilustram o descaso da empresa fornecedora com a qualidade. Carne fedida, sebosa, de gosto ruim é a análise que vai surgindo como um uníssono. Promotor e Vigilância Sanitária invadem o galpão de distribuição e encontram alimentos com validade vencida.
A rapidez suscita desinformadas acusações de uso político e sensacionalismo. O que teria ocorrido de repente com esta empresa até outro dia tão bem avaliada, com direito a elogios do ex-secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, dos vereadores da base governista e até das diretoras de escolas?
A explicação é simples. Em fevereiro, Limeira quebrou uma engenharia viciada, cujo intuito com relação à merenda era qualquer outro, que não sua qualidade. Quebrada a espinha dorsal e retirado do cargo o chefe do esquema, jogou-se luz sobre a escuridão, iluminando a péssima qualidade do alimento servido. Indícios de irregularidades sempre existiram, mas era comum serem escondidas por funcionários acuados diante de um conluio, cuja regra era o silêncio.
Silêncio que sempre favorece o errado. A prefeitura nunca fiscalizou a qualidade da merenda. Claro que não. Que lhe interessaria fiscalizar o objeto de uma ação que, viciada, tinha como intuito tão somente lapidar o erário público municipal? Aos vereadores do bloco governista, que interessaria fiscalizar um serviço criado pelo chefe, tão pleno de afagos?
Às diretoras, professoras, merendeiras, acuadas por um estado de coisas que combinava a canalhice com a patrulha e a perseguição, só restava o silêncio também. Mães que tratavam as diarreias dos filhos, chamadas de neuróticas, eram a imagem do descalabro.
Depois da queda, em fevereiro, os obstáculos à verdade vão caindo, feito dominó. Acuados por uma opinião pública desperta, a prefeitura corre contra o tempo para tentar salvar sua alma, num processo que vai culminar com a rescisão contratual.
Sensacionalismo? Uso político? O que ocorre agora em relação à merenda de Limeira é a explosão de uma represa, repleta de verdades. E que, no futuro, a cidade aprenda que a luz sempre será melhor que a escuridão.
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Opinião









