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Trabalho infantil, por que não pode?

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O Dia Mundial de Erradicação do Trabalho Infantil trouxe alguns dados sobre esta realidade alarmante a que estão expostas nossas crianças. Ainda assola a consciência de dirigentes da sociedade a incompreensão ou/e a má intenção sobre o que representa este período de vida para a formação de pessoas.
Infelizmente, não li, pelo menos na mídia de Limeira, a opinião de nenhum educador especialista em desenvolvimento infantil que fornecesse subsídios para a compreensão desta problemática, ou seja, da razão pela qual a criança não pode trabalhar. Não me coloco como especialista nesta área, mas como educadora e especialista em desenvolvimento humano - este assunto me interessa e me arrisco ao evocar alguns ícones da educação.
Vygotski, Waillon e Piaget são autoridades máximas em desenvolvimento infantil, da linha construtivista, pois defendem o conhecimento como algo construído ao longo da vida. Todos são unânimes em afirmar que cada fase de aprendizado proporciona a concretização da próxima aprendizagem, ou seja, cada experiência da criança vai criar condições para que outro aprendizado aconteça. Isto não é muita novidade, visto que na natureza se dá a mesma coisa e nas ações humanas também.
Para se passar à fase adulta, a planta que ainda é muda necessita de cuidados específicos - água, adubo, sol etc. Não somos diferentes. Necessitamos para que isso aconteça que o meio demande, proporcione tal condição, pois a construção das capacidades se dá na interação com o meio ambiente, incluindo as pessoas, é claro. Portanto, o meio em que a criança vive vai fornecer subsídios para os conceitos que se formarão para a sua vida.
Na construção de conceitos abstratos, como ética, liberdade, responsabilidade, direito e solidariedade, faz-se necessária a experiência concreta que ela deve viver na família, escola e na sociedade. Se ao contrário esta criança trabalha e vive em ambiente onde interage com os valores da produção, do consumo, do lucro, competição, estes serão seus referenciais para a construção de seus conceitos abstratos.
Com o tempo absorvido pelo trabalho, a capacidade de reflexão fica nula. Então, ela vê o mundo sem senso crítico ou sem possibilidades de mudança. Há um estudo onde se conclui que quem começa a trabalhar quando criança não tem consciência de seus direitos, no caso, os básicos trabalhistas. A estrutura física, outra em desenvolvimento, também será prejudicada. Mas isso fica para especialistas desta área.
Bem, o assunto não termina aqui, faz-se necessário todo um trabalho em conjunto, educação, saúde, promoção social, família, governantes; Judiciário, Legislativo, Executivo para mudar uma cultura de desenvolvimento infantil. Um debate para no qual o ECA deu o pontapé, mas que agora precisa sair do papel.
Para especialista no assunto e que acreditam que isso seja óbvio para a sociedade, um aviso: não é. É preciso divulgar conhecimento, é necessário acender uma luz no final desse túnel. Que possamos ser iluminados com o conhecimento e mudarmos a realidade das crianças.

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